Brasil chega a 500 mil mortes pela covid-19

O Brasil chegou neste sábado (19.jun.2021) à marca de 500 mil mortes pela covid-19. O Ministério da Saúde confirmou às 17h28 mais 2.301 óbitos em 24 horas, totalizando 500.800 vítimas desde o início da pandemia.

A 1ª morte pela doença no país foi registrada em 17 de março de 2020. Até agora, só o Brasil e os Estados Unidos ultrapassaram meio milhão de mortes pelo coronavírus. A marca é alcançada 51 dias depois de o país ter chegado às 400 mil mortes.

O presidente Jair Bolsonaro não se manifestou. O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou ser essa marca uma “enorme tristeza nacional” e prometeu “manter o foco na prevenção e na vacina para todos”. Luiz Fux, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), divulgou nota conjunta com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) na qual diz ser “preciso relembrar a cada dia que não são apenas números”. “São mães, pais, filhos, irmãos. Meio milhão de pessoas que partiram e tiveram seus sonhos interrompidos.”

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou pelo Twitter que “enquanto todos não estiverem vacinados, com a pandemia sob controle, teremos dias de dor”. Leia a íntegra das manifestações nessa reportagem do Poder360.

O ministro do STJ, Humberto Martins, disse que “um inimigo invisível conseguiu abreviar meio milhão de vidas no Brasil desde o início da pandemia”.

Das mais de 500 mil mortes, 305.851 foram em 2021. São 61% do total. Abril de 2021 foi o mês mais letal da pandemia no Brasil. Morreram 79.671 pessoas em decorrência das complicações com a covid.

SITUAÇÃO DA PANDEMIA

O Brasil bateu a marca de 500 mil mortes no momento em que os números de casos e mortes pela doença indicam o início de um repique. Boletim da Fiocruz alerta para uma possível nova onda de infecções.

Para explicar a real situação da pandemia, o Poder360 usa como métrica a média móvel de 7 dias. Trata-se da média diária de mortes e casos nos 7 dias anteriores à data.

O indicador matiza eventuais variações abruptas sobretudo nos fins de semana, quando há menos casos relatados. Nesses dias há menos funcionários nas secretarias estaduais de Saúde para reportar e, no Ministério da Saúde, para compilar os dados.

Neste sábado (19.jun), o Ministério da Saúde confirmou 2.301 novas mortes frente ao dia anterior. Nos últimos 7 dias a média de óbitos foi 2.075.

 

 

O país também confirmou ao menos 17.883.750 novos casos. São 82.288 diagnósticos a mais do que o registrado no dia anterior. A média móvel é de 72.705.

A pasta também afirma que, do total de casos, 16,2 milhões já estão recuperados e 1,2 milhão estão em acompanhamento.

Para efeito de comparação, a gripe espanhola –que chegou ao Brasil em setembro de 1918– matou cerca de 35 mil pessoas no Brasil, estimam pesquisadores. À época, a população era de cerca de 30 milhões de pessoas, segundo o IBGE, a medicina menos avançada e o acesso ao saneamento básico, precário.

MORTES PROPORCIONAIS

O Brasil tem 2.347 mortes por milhão de habitantes. Em 4 Estados há mais de 3.000 mortes por milhão: Rondônia, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Amazonas.

As taxas consideram o número de mortes confirmadas pelo Ministério da Saúde e a estimativa populacional do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para o ano de 2021 em cada unidade da Federação.

No domingo (13.jun.2021), o Brasil ultrapassou a Eslováquia e agora ocupa a 8ª posição no ranking mundial de mortes proporcionais, de acordo com o painel Worldometer.

A lista é liderada pelo Peru, com 5.684 mortes por milhão. O país revisou os dados e subiu ao topo do ranking, posição antes ocupada pela Hungria.

DATA DO REGISTRO DA MORTE X DIA REAL DA MORTE

Os registros de mortes não se referem a quando alguém morreu, mas ao dia em que o óbito por coronavírus foi informado ao Ministério da Saúde. Aos fins de semana há menos registros não porque morrem menos pessoas, mas porque há menos funcionários das secretarias estaduais de saúde em reportar e, do Ministério da Saúde, em compilar os dados.

É comum que mortes confirmadas em um dia por um Estado acabem, por algum problema técnico, sendo reportadas ao governo federal apenas no dia seguinte.

Eis como funciona a notificação:

  • suponha que em 25 de agosto algum Estado confirme 300 mortes;
  • e que, por um problema na plataforma que notifica os dados ou outra questão técnica, não consiga enviar as informações ao Ministério da Saúde;
  • no dia seguinte, o mesmo Estado confirma 200 mortes;
  • a Secretaria de Saúde enviará ao governo federal, em 26 de agosto, as mortes confirmadas naquela data (200) acrescidas do que deixou de enviar no dia anterior (300).
  • a notificação de 500 mortes em 26 de agosto, portanto, não necessariamente corresponde aos óbitos que ocorreram ou foram confirmados naquele dia.

Os registros de mortes são divulgados diariamente, por volta das 18h, pelo Ministério da Saúde neste site e em imagens de tabelas enviadas pela pasta a jornalistas. Eis um exemplo, com os dados deste sábado (19.jun.2021):

A data real da morte pode demorar até 9 meses para ser confirmada. Os números de óbitos divididos pelo dia em que de fato ocorreram é divulgado nos boletins epidemiológicos semanais do Ministério da Saúde.

É um número que é atualizado (e tende a aumentar para os dias mais recentes) a cada edição do boletim, já que depende da confirmação da data da morte. Muitas vezes a notificação das mortes pelas secretarias Estaduais chega sem a confirmação do dia exato em que ela ocorreu. Os boletins epidemiológicos são divulgados neste site.

Poder360